Acrósticos :  JANELA INVÍSIVEL
Naquela janela invisível
No prédio que não existia
Era uma visão terrível
Pois que nunca ninguém a via.

Passavam sem fazer atenção
Nunca davam uma olhadela
É gente que não tem coração
Não gostavam da janela.

O construtor ria a bom rir
Ao ver tanta gente passar
Quis fazer o prédio cair
E com a utopia acabar.

Resistiu e assim o manteve
Pois como o prédio não se via
Uma bela consciência ele teve
Pois que muita gente morria.

Ninguém o veria tombar
Pois que ninguém via a janela
Não queria ficar a chorar
Por uma janela tão bela.

A. da fonseca
Poeta

Poemas sociales :  O OURO CAI-LHES NA MÃO
Estendam a passadeira vermelha e deixem a crise passar.
Ela la vai vaidosa, poderosa, ninguém a impede de continuar.
A quem interessa que ela pare? A nós, que pagamos a despesa.
Aos senhores do capital só lhes interessa que neles fique presa.

Banqueiros, petrolíferas, paraísos fiscais e as taxas correm
Sempre apressadas para entrar nos bolsos dos que pouco comem.
Que não têm onde dormir, sim, debaixo de pontes morrendo de frio,
Ninguém os vê ou não os querem ver, é como água que corre no rio.

É um fartar vilanagem, obesos de sobranceria e de vil desprezo.
Nós trabalhamos duro para viver, mas não conseguimos o peso
Para fazer o prato da balança descer para o nosso lado, é ilusão;
Enquanto os donos da crise enriquecem, o ouro cai-lhes na mão.


A. da fonseca
Poeta

Poemas sociales :  REPAREM NQIUELE GAROTO
Porquê, mas porquê eu me sinto incomodado
Pela miséria, fome, sede, sem abrigo, sem Sol
Que possa aquecer tanta criança fria no gelado
Dos corações que os vêm passar sem terem farol.

Porquê tudo isto me enerva quando o Mundo é rico
E eu? que faço eu ? Escrevo, barafusto revoltado
Por não ter meios de ajudar mas certo, não abdico
De gritar bem alto, olhem, escutem o desamparado.

Mas tenho a impressão que o egoísmo é mais forte
Só vêm o que querem vão assobiando para o lado
Como se não fossem do mesmo mundo, é a morte
Dos sentimentos que faz que o mundo ande atrasado.

Olhem, lá ao largo aquele cruzeiro de luxo navegando.
Vejam o parque dos Casinos, não há lugar para o carro.
Vejam a roleta, o bacará, e o dinheiro vai esbanjando.
Reparem naquele garoto que pede esmola, como é bizarro!

A. da fonseca
Poeta

Sonetos :  Preenchendo Vácuo
Escrevo o que brota...
Sou o mal educado
que, até quando arrota,
tenta transformar em poema.

Sou tecido que amarrota
e precisa ser alisado
para aparecer
bem comportado.

Sou o pecado das letras,
o olho nas gretas,
a língua solta.

Sou um soneto caído,
um poema perdido,
uma poesia revolta.

A.J. Cardiais
31.08.2011
Poeta

Poemas :  Me gusta mi silencio en el bosque...
ME GUSTA MI SILENCIO EN EL BOSQUE...
Autor: Fedor Sologub
Rusia 1863 - 1927


Nació en San Petersburgo.
Fue poeta, cuentista, novelista, dramaturgo, teórico del simbolismo. En 1884 aparecieron sus primeros versos en la revista "Primavera".Su novela más importante: "El duende". Publicó dos novelas más, "Más dulce que el veneno" y "La leyenda creada".
Esta obra es traducción en la Versión de Jorge Bustamante García


Me gusta mi silencio en el bosque...

Me gusta mi silencio en el bosque
Y en la oscuridad de las noches
El balanceo tenue
De las ramas pensativas.
Me gusta el rocío nocturno
Extendido sobre los prados
Y la humedad de los campos
Cuando despunta el día.
Me gusta al amanecer
El fresco delicioso
Y el fuego tardío y pálido
De las hogueras de los pescadores.
Es entonces cuando el sosiego
Ya no me abandona
Y ya no me importan las angustias
Del día que pasó.
Callo dichoso
Ante la vastedad campestre
Y en una mirada estelar
Abarco todo el mundo.
La neblina me cubre
Mientras me entrego a mis sueños
Y bajo este espejismo mágico
Me extravío por los campos
.


15 de agosto de 1896
Poeta

Poemas :  Balanço Ritmado
O meu balanço
vem rimando manso.
Por isso não me canso
de rimar...

A minha dor
desabrocha em amor,
e vira uma bruta flor
do além mar...

Minha poesia
não tem filosofia,
só tem fantasia...

O meu poema,
cheio de problema,
culpa o sistema...

Do que posso falar?

A.J. Cardiais
18.09.2011
Poeta

Poemas de reflexíon :  CAMINHAI E UM ´DIA SERA TARDE
Caminhai.
Olhai somente as pedras da calçada que pisam.
Caminhai.
Não vejam ou não queiram ver que as vossas
Caminhai.
Não pensem a que outros querem ou idealizam,
Não! Deixai-os caminhar por um caminho sem rosas.

Caminhai.
Ou deixem caminhar os sentimentos que são vagos
Caminhai.
E chamem loucos àqueles que lutam por outro caminho
Caminhai.
Deixai que a miséria continue a viver em grandes lagos,
De desespero, de depressão, sem esperança, sem ninho.

Caminhai.
Mas atenção, a vida traz por vezes surpresas inesperadas.
Caminhai.
Pensando que o mal ou o bem só acontece sem pensar
Caminhai.
Em estradas que nos levam a momentos desesperados
Pensando que um dia será tarde para tudo remediar.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de amor :  VI O TEU CORPO RIR
Em penetrando no teu coração
Com o meu amor por ti apaixonado,
Tu abriste o teu peito, tu lhe deste vida.
E em noite de Luar, noite calma,
Nossos corpos se fundiram abandonados.
Deste-me tudo de ti, dei-te tudo de mim.
Em momento de sonho, senti que os teus seios
Passeavam no meu corpo docemente.
Saboreavam o perfume, ele era o teu jardim.
Meu corpo aceitou de se abandonar ao teu prazer.
Eu beijei os teus olhos, vermelhos de desejos.
Eu te quis possuir e te cobri de beijos.
Vi o teu corpo divinal, de prazer rir
Enquanto os meus lábios esperavam os teus
E eles vieram. vieram deixar o mel do amor.
Apaixonadamente saboreei esse néctar
Que foi o começar de uma orgia apaixonada.
Foram horas em que o tempo parou.
Foi tempo do amor, tempo de paixão de quem amou.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de esperanza :  SE O AMOR ACONTECER
À noite,
Caminho na tua rua
Ao nascer da Lua
Pleno de esperança.
E assim o meu olhar
Percorre as janelas
Todas elas tão belas
E ornadas de faiança.

Espero,
Te ver numa debruçada
Como fada encantada
Para me poder enfeitiçar.
Hoje ainda por lá passei
Mas teu olhar não encontrei
E eu vou ficando a esperar.

Voltarei,
Amanhã o meu sentimento
Esperando esse momento
Em que a tua bela janela
Para te ver esteja aberta
No momento, à hora certa
Em que o amor se desperta.

Então,
Se o amor acontecer,
O meu coração voará para te ver
E docemente no teu peito
Te colocará uma rosa
Te lerá a mais bela prosa
De amor todo a preceito.


A. da fonseca
Poeta

Poemas de desilusión :  CORAÇÃO MAL AMADO
Eu tenho ciúmes
Dos teus poemas
Que para mim não escreves
Tenho ciúmes
Das prosas poéticas
Cheias de amor
Como a flor
Cheia de perfume
Para mim herméticas
Mas que fazer?
Sim, eu vou escrever
Para te dizer
Que te amo a morrer.
Sim meu amor,
Sinto-me abandonado
Coração mal amado
Não é sedutor.


A. da fonseca
Poeta