Poemas de sombríos :  EU, A VIDA E A MORTE
Quando eu nasci,
Nasceram comigo a vida e a morte.
Olhávamo-nos olhos nos olhos
E lançámos um grande desafio.
Partiríamos ao mesmo tempo
Para ver quem ganharia a maratona
E quem teria a Grande sorte
De chegar na ultima recta em primeiro
E sem mais aquelas
Começamos a correr
Por ruas , ruelas e carreiros,
Passamos os primeiros metros,
Os primeiros quilómetros,
O cronómetro marcava o tempo,
Começámos a sofrer
Eu comecei a sentir cansaço
Com dificuldade a correr.
Já começava a agarrar a camisola
Que a vida trazia vestida
E a morte sempre fresquinha,
Com um sorrir cínico, macábro,
Continuava sempre em terceiro lugar
À espera do bom momento
Para poder melhor atacar.
E eu, pobre alma cansada,
Coração que bate apressadamente
Como se quisesse chegar à frente
Mas hoje ele já com 85 anos
Que não entre em desenganos
E a morte no momento preciso
Dará a sua sapatada, ela é a mais forte
Quer eu queira ou não , tudo baterá certinho
E eu e a vida ficaremos pelo caminho
Abandonadas!
E a partir daí, não seremos nada.



A. Da Fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  OS ASTROS E UM ANJO
No alto da montanha gritei aos quatro ventos.
Chamei as Estrelas, um Anjo a Lua e até o Sol,
Para todos juntos passarmos belos momentos
A discutir do que fazer a este mundo sem farol.

A estrela respondeu que havia a estrela polar
Que podia guiar em bons caminhos a mocidade,
Encaminhá-los pelas grandes rotas do alto mar
Para descobrirem novos mundos de felicidade.

A Lua também deu a sua opinião muito sentida,
Caminhando na noite lhes darei luz prateada
Para verem os caminhos mais certos da vida
Aquele do amor, do respeito, é essa a estrada.

O Sol não podia deixar de dar a sua ideia.
Eu vos darei a luz, o calor que tanto precisam,
Tudo é preciso para viver, a vida é uma cadeia
De coisas boas e de ratoeiras que não avisam.

O Anjo com a sua simplicidade e argúcia
Ouviu todos os conselhos dos seus amigos.
Devem respeitar os conselhos com minúcia,
Podem dizer, os que sabem, são os antigos.

A da fonseca
Poeta

Poemas sociales :  O POETA MORREU
O Poeta morreu
viva o Poeta!
Se alguém
dele já se esqueceu
tem a porta
aberta
Para visitar
as obras que deixou
as poder apreciar
as poder criticar
mas não o imitar,
cada poeta
é único,
um estilo,
uma alma,
nervosa
ou calma
mas o amor
que ele deu
esse é imortal.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de amor :  DOIS LOUCOS
Uma casinha amarela no alto da montanha
Onde dois loucos de amor possam viver,
Sem precisar de username ou mesmo senha
Para poderem nela entrar e amor lá fazer.

Com o telhado em vidro para ver as estrelas,
Deixar entrar o Luar em noites de loucura
Prateando nossos corpos de sombras belas
Enquanto o lençol perde no chão a sua candura.

Dois corpos entrelaçados o suor escorrendo
Em vagas de felicidade sensualidade e prazer
A mão afaga os seios e os lábios o corpo percorrendo,
A noite é longa mas tão curta, a Lua vai adormecer.

Os dois loucos extasiados e os lábios cansados,
Lado a lado veem pouco a pouco o Sol nascer
Que vem dourar o amor desses loucos amados
Que continuarão na Montanha a viver de prazer.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de amor :  O TEU COPRPO DESNUDADO
Naquela cama onde fazemos amor
Os seus lençóis são testemunha do desejo.
Te rapino beijos como se fosse Condor
Que num deserto não perde o seu ensejo.

Ao ver o teu corpo tão belo, desnudado
As minhas garras de amor te prendem em mim
E o teu corpo como o meu corpo ficam suados
Do prazer de me sentires bem dentro de ti.

Os nossos lábios golejam a nossa saliva
Que tem doce do mel e um prazer profundo.
As nossas línguas desse prazer ficam cativas
E se deleitam num prazer o mais profundo.

Sentir a rigidez dos teus seios no meu peito
São momentos da mais pura das loucuras,
Fico tão louco que perco todo o preconceito
E o meu ego fica vaidoso e feliz murmura.


A. da fonseca
Poeta

Sonetos :  QUANDO O AMOR ESTÁ MORIBUNDO
Vagueio na noite, uma noite de inverno,
Naquelas velhas ruas dos amores proibidos
Como lobo solitário que passeia no inferno,
Que procura no pecado seus amores perdidos.

Amores proibidos que tanto nos fazem sofrer.
Onde o Paraíso não existe mas sim sofrimento.
Quero deixar esse deserto mas como fazer?
É a morte que cai e eu caio no esquecimento.

Para viver assim prefiro ter o gosto de morrer
Porque as carambolas da vida deixam mossas
Que não têm cura, pois que ferem o coração.

O amor é uma doença, raro é uma conclusão.
Nem só com palavras doces se pode amar,
Quando o amor está moribundo não há solução


A. da fonseca
Poeta

Poemas de humor :  O ACIDENTE DAS LETRAS
Levei as minhas letras
A dançar na corda mamba
Não se equilibraram, caíram
Ficaram a dançar o Samba.

O t partiu o traço
O ç perdeu a cedilha
o q apanhou um cagaço
o u partiu a bilha.

O X em i se transformou
O z em traço de união
O o na pista rolou
E o m saltava no chão.

Chegou um especialista
Pôs letra em baixo letra em cima
Era um verdadeira artista
E de tudo ele fez uma rima.

A. da fonseca
Poeta

Sonetos :  GAIVOTA QUE VOAS BAIXINHO
Gaivota que voas baixinho em voo de asas serenas
Vem visitar o meu ninho,vem colmatar minhas penas.
Sobre a minha cama verás meu corpo sofrer,
É um corpo que te ama e tem ânsia de viver.

Sonhei que te via voar airosa como uma gaivota
Não te conseguindo agarrar, para mim era derrota.
As tuas penas de cetim quando voavas baixinho
As senti na minha mão que eu fechei de mansinho.

Ao te colocar na almofada meus lábios provocas-te.
Sonhando com o teu corpo não o consegui afagar
Inerte não te pude beijar e para longe voas-te.

Não sei se foi pesadelo mas o meu coração te ama
Não sei se tu também no meu sonho me acompanhaste
Pela manhã quando acordei estavas na minha cama.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  AS DIFERENÇAS E AS INDEFERENÇAS
A imponência,
faz-me lembrar o cavalo Lusitano
Nas suas demonstrações de beleza
que ele possui
A opulência, faz-me tristemente pensar
aos que muito têm e nada dão.
A impotência,
sãos as vitimas da opulência
Que não abre a mão
A prepotência
são os cultivadores da força,
força que pensam ter
e que acham um bem
fazer sofrer
os fracos com medo
que lhe tirem
ainda o pouco que têm.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de introspectíon :  A VIDA, ESSA ACABARÁ POR PARTIR
Eu tento resistir, vou suportando.
Mas assim continuará até quando
Não me perguntem, não sei.
Sinto a vida me fugir, agarro-a,
Ela fica ainda por algum tempo,
Se ela acabar, é natural, é a lei.
Fecho-a na palma da minha mão,
Sinto-a sem forças para resistir
Sinto a mágoa do meu coração
Por não a poder impedir
De seguir o seu caminho e partir.
Vou resistindo, o inimigo espreita.
Está ali mesmo à esquina da rua
Vestido de negro, de alma nua
E à mais pequena distracção
Ele penetrará no meu coração
Aperta-lo-à, não o deixará reagir
E a vida, essa, acabará por partir.


A. da fonseca
Poeta