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Sou um velho carro, sou de colecção. Com os pneus já muito gastos E já nem têm hipóteses de reparação. Os amortecedores a guinchar com o peso Desta velha carroçaria toda ferrugenta E já nem sei como ela ainda aguenta. O delco e a distribuição lá vão, lá vão; O motor para trabalhar, à manivela com a mão. O depósito da gasolina cheio de remendos, Com pastilhas especiais ainda resiste. O carburador trabalha mas aos solavancos Distribuindo com dificuldade o carburante. Os gases lá vão saindo pelo tubo de escape Mas a explosão é fraquinha, não como dantes. O radiador vai sofrendo de incontinência; Para o motor não aquecer, pois que perde água, Para chegar ao destino rolo com paciência
A. da fonseca
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Poeta
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Reconheço as bobagens que escrevo... Mas fazer o quê, se no momento é a bobagem que impera, e me pede que a escreva assim mesmo, como bobagem?
Faz parte da minha linguagem, descrever o lado ingênuo de tudo. Então eu “descrevo”, e não mudo.
Piso fundo na imaginação, como um policial perseguindo o ladrão: dou contramão, invado sinal...
Faço tudo pra pegar o marginal, e aprisiona-lo no caderno.
A.J. Cardiais 20.04.2011
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Poeta
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A arte da crise não é a crise da arte. A arte nunca fica em crise, porque ela se parte, reparte e se transforma. A arte, fora da norma, é uma válvula de escape.
A.J. Cardiais 23.06.2016
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Poeta
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Sin querer, fui perdiendo la razón en un torbellino, de vida material.
Sin querer, fui perdiendo a la sazón el ser lo esencial.
Sin querer, perdí el alma y corazón, el cuarto mandamiento “Honrar padre y madre”.
Sin querer pero en el querer consciente, perdí lo vital, lo esencial, el alma, el corazón,
Queriendo, no honre padre y madre, no vi lágrimas en sus ojos, pero presentí un escalofrío de mea culpa, que muy dentro de ambas almas el inexpugnable vórtice, de un ahogado llanto mortal.
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Poeta
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Não lembro o começo do poema... Mas estava tudo na mente, antes da inspiração ir adiante, e me trazer um problema:
O que é poesia? Me pergunto isso sempre, quando estou envolto nas ilusões.
Mas eu gosto mesmo é de me perder entre poetas, que ficar discutindo opiniões.
A.J. Cardiais 25.06.2016
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Poeta
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Estou cansado da vida, estou cansado de padecer. Comecei a sofrer à nascença e continuei a sofrer. Já não quero já não posso assim contigo continuar Mas não te darei o prazer de um dia me matar.
Vou fazendo resistência reforçando o meu moral. Não contes com a minha ausência, só se for casual. Vou sofrendo, vou vivendo, quero continuar a rir. Não quero que outros sofram se não souber resistir.
Morte que nasceste comigo comigo hás-de morrer. Não conseguirás resistir também te farei sofrer. Morrerás com a mesma idade aquela que eu terei.
Depois eu quero ver se tu ficarás contente, Sabendo que as tuas irmãs fizeram morrer tanta gente. Mas eu te levarei comigo e comigo te enterrarei
A. da fonseca
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Poeta
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Eu te via passar na minha rua E o meu coração ficava suspenso Ao teu andar gracioso de catraia, À fricção suave da tua saia, O sentir du perfume que ainda me fascina, Aos teus passos sincronizados de dançarina.
À tarde, quando eu te via chegar O Sol dava esplendor ao teu rosto. Tu te fazias discreta desviavas o olhar. Mas fascinado pela graça do teu andar Eu queria ter a deliciosa certeza De um dia conquistar tanta beleza.
Passas-te e pela primeira vez Teus lábios se abriram num belo sorrir. Senti a euforia da paixão, Esse momento mergulhou o meu coração Numa nuvem de sonhos apaixonados E de esperança de amor conquistado.
A realidade substituiu os sonhos. Nossos corações e nossos lábios se uniram. O nosso amor é forte e exaltante, Tudo é belo tudo é luz tudo é excitante. Temos uma vida de amor juncada. Vivemos felizes, vivemos um conto de Fada.
A. da fonseca
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Poeta
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Vejo as horas que passam Os dias que se vão E a esperança que se perde. Os anos que se entrelaçam Formando tranças de ilusão E a vida já não é verde.
Vi os anos que passaram Vejo aqueles que vão passando Talvez veja os que vão passar. Ouvi as canções que se cantaram Oiço as que se vão cantando Amanhã... não sei se oiço cantar.
A. da fonseca
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Poeta
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Con esa suerte de hambre de náufrago... con la ansiedad acumulada, de casi siglos, para romper con el alba, la noche más oscura, te esperaba, si, como el suspiro quebrantando la congoja, para abrazar el consuelo, la paz, mientras se desvanecen las sombras... y llegas.
Que te esperaba, claro que si...
Con una antología de historias bajo la lluvia, que te hablen de cuánto y cómo te añoré... de los trabajos que han tenido mis manos y memoria, para recuperar y delinear mapas, gemidos, bocetos, emociones, tremores y hasta las sombras de tu exquisita geografía, que no pude esculpir con todos sus detalles en algún recodo de mi cerebro, de mi alma.
Y te esperaba...
Desde el primer fugaz destello de tu mirada, que cegando, casi paralizando mi existencia, llegó para cautivar cada milímetro de mi ser, esperé también que lleguen las sensaciones tangibles que no conseguí en los tantas veces que tan sólo visioné... besarte entre miradas.
Te esperaba, esperanzado a morir... a vivir,
Con la vehemencia loca con que incansable se persigue darle continuidad a un sueño... interrumpido entre tormentas de orfandad, rumores, desatinos, distancias perversas... pero llegaste para atrapar hasta mis desvaríos y no importa si la vida se va como en sueños.
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Poeta
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Já tenho saudades de ver os teus olhos, De os teus lábios beijar, de te falar de amor E como um senhor, com vénia te amar. Lembro o silencio desses loucos momentos Em que estávamos sós, só os olhos sorriam, Nossos corpos se uniam, perdíamos a voz. Volta e eu te ofertarei cataratas de amor, Montanhas de flores ornadas de estrelas. Te darei também as noites mais belas, Te cobrirei de beijos serei teus desejos E para a vida inteira serás minha Cinderela.
As noites são longas não tenho mais sonhos. São noites sem estrelas, vagueio e não há Luar Nem ter teus lábios para os meus poder adoçar Nem sequer romantismo à luz de uma vela. Canto, canto o amor para que possa ouvir No meu desespero o meu coração chorar Mas pensando em ti ele chora de mansinho Passando a minha porta, ele não te irá assustar.
A. da fonseca
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Poeta
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