Poemas de amor :  AS PÉTALAS CAÍDAS
Continuo a pensar naquelas noites
Naquelas horas, dias e madrugadas
Em que o amor nos invadia.
O teu corpo no meu se espreguiçava,
Os nossos corações cantavam
Belas e Celestiais melodias.
Com as lágrimas do prazer
Lavávamos os nossos pecados,
Pecados de dois corpos enamorados.
Desfolhávamos nossos corpos
Como quem desfolha uma flor,
As pétalas caídas no chão,
Foi tudo o que do nosso amor ficou,
Elas que eram o símbolo do nosso amor,
Ficou somente o perfume
Dessas flores desfolhadas,
Flores que foram por nós amadas


A. da fonseca
Poeta

Poemas :  Descompromisso
O que me faz poeta,
não é uma seta
indicando: escreva.

O que me faz poeta,
é a minha meta
fincada numa coisa incerta;
é meu olhar
cheio de volúpia pela vida,
e desprovido de ambição...

O que me faz poeta,
são as sensações de deserto
no meio da multidão.

A.J. Cardiais
03.07.2016
Poeta

Poemas de reflexíon :  ENTERREI AS MINHAS RECORDAÇÕES
Enterrei as minhas recordações
Num canteiro do meu jardim,
Os desgostos e as ambições
E cobri tudo com jasmim.

Assim ficarão perfumadas
Do que foi a minha vida
Feita de amores e pecados
Nasci com a minha sina lida.

Ao redor desse canteiro
Plantei os meus amores,
Uma cruz e um letreiro...
Aqui jazem as minhas dores.

Bem à vista dos visitantes
Escrito também estão ali
As mais belas variantes
Dos erros que cometi.

Por vezes tenho saudades
Outras vezes sinto repúdio
Entre desgosto e felicidade
Da vida vivida no prelúdio.

Pois que não se pode viver hoje
Uma vida que é de amanhã
Assim a mocidade nos foge
De uma maneira nada sã.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  PARA ONDE VAIS, CRIANÇA
Para onde vais criança?
Caminhas em estrada sinuosa
Numa caminhada perigosa
Tentando dar rumo à vida.
Eu sei, eu sei que tu procuras
A felicidade que outros têm
Mas para ti ela não vem
E porquê?
Todos temos direito ao Sol
Todos temos direito à educação
E temos também o direito à indignação!.
Não te deixes abater
Não te deixes cair num abismo
Donde dificilmente sairás.
Para de parar nessa estrada da vida
Procura outra, a que te é devida.
Levanta a cabeça, mostra a tua dignidade
Caminha de peito aberto
Grita, grita, reclama
Que queres uma estrada sem lama
Que queres viver a vida com amor
Sem miséria e com pudor.


A. da fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  TER OU NÃO TER
Ter ou não ter, eis a questão.
Ter alma ter vida ter coração.
Ter sensibilidade, saber amar,
Ter uma vida sã, não perder a razão

Ter ou não ter, eis a questão

Ter coragem para saber dizer não
Ter coragem para uma causa defender
Se ela é justa, mesmo se se queimar
Ter amor pelo próximo sem se conter

Ter ou não ter é uma questão de querer


A. da fonseca
Poeta

Sonetos :  na sombra da tua sombra
Ando perdido na sombra da tua sombra.
Procuro te encontrar e não consigo.
Tu foges de mim como uma tímida pomba
Como se eu fosse para ti um grande perigo.

Ando perdido porque me negas o teu amor.
Vagueio nas ruas sem saber para onde ir.
Na tua singela rua só encontro dissabor,
O meu coração anda triste, não pode rir.

Ele sente fortemente o desprezo por ti dado.
Ele que te ama e que só amor te quer dar,
Mas sabe que não pertence ao teu reinado.

E de desgosto o meu peito ficou inundado
Com mil e uma lágrima choradas de saudade
De um coração que de ti se sente abandonado.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de tristeza :  VELHO CARRO
Sou um velho carro, sou de colecção.
Com os pneus já muito gastos
E já nem têm hipóteses de reparação.
Os amortecedores a guinchar com o peso
Desta velha carroçaria toda ferrugenta
E já nem sei como ela ainda aguenta.
O delco e a distribuição lá vão, lá vão;
O motor para trabalhar, à manivela com a mão.
O depósito da gasolina cheio de remendos,
Com pastilhas especiais ainda resiste.
O carburador trabalha mas aos solavancos
Distribuindo com dificuldade o carburante.
Os gases lá vão saindo pelo tubo de escape
Mas a explosão é fraquinha, não como dantes.
O radiador vai sofrendo de incontinência;
Para o motor não aquecer, pois que perde água,
Para chegar ao destino rolo com paciência

A. da fonseca
Poeta

Poemas :  Perseguição
Reconheço as bobagens que escrevo...
Mas fazer o quê,
se no momento é a bobagem que impera,
e me pede que a escreva assim mesmo,
como bobagem?

Faz parte da minha linguagem,
descrever o lado ingênuo de tudo.
Então eu “descrevo”,
e não mudo.

Piso fundo na imaginação,
como um policial
perseguindo o ladrão:
dou contramão,
invado sinal...

Faço tudo pra pegar o marginal,
e aprisiona-lo no caderno.

A.J. Cardiais
20.04.2011
Poeta

Poemas :  A Arte da Crise
A arte da crise
não é a crise da arte.
A arte nunca fica em crise,
porque ela se parte,
reparte
e se transforma.
A arte, fora da norma,
é uma válvula de escape.


A.J. Cardiais
23.06.2016
Poeta

Poemas :  Mea culpa
Sin querer,
fui perdiendo la razón
en un torbellino,
de vida material.

Sin querer,
fui perdiendo a la sazón
el ser lo esencial.

Sin querer,
perdí el alma y corazón,
el cuarto mandamiento
“Honrar padre y madre”.

Sin querer
pero en el querer consciente,
perdí lo vital, lo esencial,
el alma, el corazón,

Queriendo,
no honre padre y madre,
no vi lágrimas en sus ojos,
pero presentí un escalofrío
de mea culpa,
que muy dentro de ambas almas
el inexpugnable vórtice,
de un ahogado llanto mortal.
Poeta