Poemas de reflexíon :  VIVER SEM ESTAR APAIXONADO
Se eu soubesse que o amor dava saudade
Preferia nunca na vida, alguém ter amado.
Assim sem preconceitos e em liberdade
Teria vivido a vida sem estar apaixonado.

Teria evitado desilusões e dissabores.
Nunca o meu coração viveria amarrado
A essas ilusões que lhes chamam amores,
Viveria feliz sem me sentir abandonado.

Mas a saudade não me deixa esquecer
Esses tempos vividos que felizes eram.
Mas o amor nem sempre é como se quer
E nossos beijos e caricias se perderam.

Guardo comigo a saudade das madrugadas.
Como um sonho, nosso amor fazia amor.
Nossos corpos, nossas mãos entrelaçadas,
Os nossos desejos se saciavam sem pudor.

Foram tempos majestosos os que eu vivi.
Hoje estou triste sem amor para amar.
Acabar com essa saudade não decidi,
Pois que mesmo sofrendo a quero lembrar.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  O LABIRINTO DA VIDA
Empurraram-me para os caminhos da vida,
Ofereceram-me um labirinto a percorrer.
Mostraram-me a entrada mas não a saída
Mas era eu a escolher como ele o percorrer.

Entrei pé ante pé no labirinto da vida.
A saída não estou apressado de a encontrar.
Faço como se procurasse essa saída,
Procuro sempre que posso dela me desviar.

A vida continua a me empurrar, não vou!
Encontro-me bem na sombra desta grande selva.
Nela amo, sofro, vivo, quero ficar onde estou
E à noite consigo dormir sobre a verde relva.

Quando da saída estou perto, não a vejo.
Ou por outra, eu não a quero sequer ver.
Olho para o lado da entrada com desejo
De voltar a entrar e recomeçar a viver.


A. da fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  A CASA AMARELA
Chamem-me louco!
Louco, sim,
Porque habito uma casa amarela.
Casa amarela...
Sinal de hospício
Onde eu moro
Sem sacrifício,
Onde moro com prazer.
Mas já fui sacrificado
Por alguém de muito saber,
Sábio na arte de escrever
“Expert” do mal dizer.
Mas para vos ser franco
Na TV vi uma janela
E vi uma casa amarela,
Aquela de Camilo Castelo Branco.
Era doido? Talvez!
Doido pela cultura
Doido pelo amor
Mas doido...! ele o foi alguma vez?

A. da fonseca
Poeta

Sonetos :  QUANDO O AMOR ESTÁ MORIBUNDO
Vagueio na noite, numa noite de inverno
Naquelas velhas ruas dos amores proibidos.
Como lobo solitário que passeia no inferno
Que procura no pecado seus amores perdidos.

Amores proibidos que tanto nos fazem sofrer,
Onde o Paraíso não existe mas sim sofrimento
Quero deixar esse deserto mas como fazer?
É a morte que cai e eu caio no esquecimento.

Para viver assim prefiro ter o gosto de morrer
Porque as carambolas da vida deixam mossas
Que não têm cura pois que ferem o coração.

O amor é uma doença, raro é uma conclusão;
Nem só com palavras doces se pode amar.,
Quando o amor está moribundo não há solução


A. da fonseca
Poeta

Poemas de amor :  AS PÉTALAS CAÍDAS
Continuo a pensar naquelas noites
Naquelas horas, dias e madrugadas
Em que o amor nos invadia.
O teu corpo no meu se espreguiçava,
Os nossos corações cantavam
Belas e Celestiais melodias.
Com as lágrimas do prazer
Lavávamos os nossos pecados,
Pecados de dois corpos enamorados.
Desfolhávamos nossos corpos
Como quem desfolha uma flor,
As pétalas caídas no chão,
Foi tudo o que do nosso amor ficou,
Elas que eram o símbolo do nosso amor,
Ficou somente o perfume
Dessas flores desfolhadas,
Flores que foram por nós amadas


A. da fonseca
Poeta

Poemas :  Descompromisso
O que me faz poeta,
não é uma seta
indicando: escreva.

O que me faz poeta,
é a minha meta
fincada numa coisa incerta;
é meu olhar
cheio de volúpia pela vida,
e desprovido de ambição...

O que me faz poeta,
são as sensações de deserto
no meio da multidão.

A.J. Cardiais
03.07.2016
Poeta

Poemas de reflexíon :  ENTERREI AS MINHAS RECORDAÇÕES
Enterrei as minhas recordações
Num canteiro do meu jardim,
Os desgostos e as ambições
E cobri tudo com jasmim.

Assim ficarão perfumadas
Do que foi a minha vida
Feita de amores e pecados
Nasci com a minha sina lida.

Ao redor desse canteiro
Plantei os meus amores,
Uma cruz e um letreiro...
Aqui jazem as minhas dores.

Bem à vista dos visitantes
Escrito também estão ali
As mais belas variantes
Dos erros que cometi.

Por vezes tenho saudades
Outras vezes sinto repúdio
Entre desgosto e felicidade
Da vida vivida no prelúdio.

Pois que não se pode viver hoje
Uma vida que é de amanhã
Assim a mocidade nos foge
De uma maneira nada sã.

A. da fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  PARA ONDE VAIS, CRIANÇA
Para onde vais criança?
Caminhas em estrada sinuosa
Numa caminhada perigosa
Tentando dar rumo à vida.
Eu sei, eu sei que tu procuras
A felicidade que outros têm
Mas para ti ela não vem
E porquê?
Todos temos direito ao Sol
Todos temos direito à educação
E temos também o direito à indignação!.
Não te deixes abater
Não te deixes cair num abismo
Donde dificilmente sairás.
Para de parar nessa estrada da vida
Procura outra, a que te é devida.
Levanta a cabeça, mostra a tua dignidade
Caminha de peito aberto
Grita, grita, reclama
Que queres uma estrada sem lama
Que queres viver a vida com amor
Sem miséria e com pudor.


A. da fonseca
Poeta

Poemas de reflexíon :  TER OU NÃO TER
Ter ou não ter, eis a questão.
Ter alma ter vida ter coração.
Ter sensibilidade, saber amar,
Ter uma vida sã, não perder a razão

Ter ou não ter, eis a questão

Ter coragem para saber dizer não
Ter coragem para uma causa defender
Se ela é justa, mesmo se se queimar
Ter amor pelo próximo sem se conter

Ter ou não ter é uma questão de querer


A. da fonseca
Poeta

Sonetos :  na sombra da tua sombra
Ando perdido na sombra da tua sombra.
Procuro te encontrar e não consigo.
Tu foges de mim como uma tímida pomba
Como se eu fosse para ti um grande perigo.

Ando perdido porque me negas o teu amor.
Vagueio nas ruas sem saber para onde ir.
Na tua singela rua só encontro dissabor,
O meu coração anda triste, não pode rir.

Ele sente fortemente o desprezo por ti dado.
Ele que te ama e que só amor te quer dar,
Mas sabe que não pertence ao teu reinado.

E de desgosto o meu peito ficou inundado
Com mil e uma lágrima choradas de saudade
De um coração que de ti se sente abandonado.

A. da fonseca
Poeta