Poemas :  Vida traduzida em poema
Acordo e penso:
meus poemas são pequenos,
diante da imensidão
de palavras...

Procuro uma que não consta
na boca de um qualquer.
Mas uma rima me vem logo.
E rima, vocês sabem,
é como mulher:
Você ama, e manda ver...

Fujo de muitas situações
para economizar espaço.
Porém o espaço é esse mesmo.
E para este poema
só coube um laço:
enforcar-me-ei com ele.

A.J. Cardiais
15.10.2010
Poeta

Poemas :  Poesia é feminina e poema é masculino
Poesia é feminina e poema é masculino
Nem sempre aonde eu vou,
eu levo a poesia...
É mais fácil levar o poema.
A poesia é "cheia de dobra"...
E o poema é "pau pra toda obra".

Vejam bem: a poesia é feminina.
E, como toda mulher,
exige outros tratamentos,
outros encantos,
outros procedimentos...

Já o poema é masculino.
E como todo homem de verdade,
o poema não tem vaidade.
Não se preocupa com a aparência,
com a elegância...

Com isso não quero dizer
que não gosto de andar com mulher...
Vejam bem o que eu disse
no início:
nem sempre aonde eu vou.

A.J. Cardiais
15.09.2015
imagem: google
Poeta

Sonetos :  Poetizando tudo
Poetizando tudo
A poesia está por aí... pelo ar.
O poema está na terra,
no mato, na guerra...
Está no ato de rimar.

O poema é articulador.
A poesia é só amor.
A poesia é
como se fosse mulher:

Cheia de beleza...
O poema é pé de chinelo.
A poesia é nobreza.

O poema é o martelo
martelando a dureza.
A poesia é o belo,
exibindo sua beleza

A.J. Cardiais
20.04.2015
imagem: google
Poeta

Sonetos :  Emoção desordenada
Emoção desordenada
O poeta vê poesia
onde parece não haver:
nos olhos de uma mulher,
no desabrochar do dia,

Numa palavrinha qualquer,
num lugar sem alegria;
na pobreza, na beleza,
numa rima despencada...

O poeta vê tudo e nada.
Com sua imaginação
imaculada,

faz uma dissertação
(às vezes desordenada)
da sua emoção.

A.J. Cardiais
imagem: google
Poeta

Poemas :  A cúmplice
A cúmplice
A vida para mim,
está sendo assim:
Eu vou andando...
De vez em quando paro,
e fico procurando algo
que me traga alguma alegria...

Pode ser uma música,
uma flor qualquer
sem nenhum valor reconhecido,
um amor adormecido,
um sorriso de bem-me-quer...

Reparem bem: a vida
bem conduzida,
tem como cúmplice
a mulher...

É o que me falta:
uma cúmplice.

A.J. Cardiais
02.03.2010
Poeta

Crónicas :  Viver é morrer de amores
Viver é morrer de amores
Quem não ama não vive, vegeta. Pela simplicidade da frase, alguém já deve ter dito (ou escrito) isso. O título da crônica também, se não estou enganado, é de uma musica. Bem, mas “tomando emprestado” ou não, a frase e o título, eu pergunto: que sentido tem a vida de quem não ama nada, nem ninguém? Eu me refiro aqui a um amor geral, mais ampliado. Não estou me referindo ao amor homem x mulher. Este, muitas vezes, se torna uma coisa obsessiva, doentia. A pessoa fica presa e quer manter o “objeto” da sua obsessão preso também. Eu quero saber do amor que liberta, que dá sentido e sabor ao ato de viver. Neste sentido eu posso dizer que sou rico: tenho vários amores. Quando um não resolve meu problema, busco outro. E assim vou levando a vida, ou deixando que ela me leve. É por isso que eu gosto de dizer que o amor é meu combustível: sem amor, eu não ando. Até o ato de escrever, eu só faço por amor, por prazer. Talvez se fosse “por dever”, eu não conseguisse escrever nada. É justamente por isso que eu não gosto de me “intitular” de escritor. Clarice Lispector se dizia amadora talvez por isso: só escrevia por amor. Escritor para mim é aquela pessoa que para, pensa e escreve. Já vive “programado” para escrever. Eu nunca me programei para nada. Gosto de viver à mercê da inspiração. Sou como Dorival Caymmi: as indústrias fonográficas queriam que ele “produzisse musica”, mas ele só fazia quando tinha inspiração.

Mas voltando ao título, tem gente que tem um amor só: o amor ao dinheiro, o amor ao luxo... Essas pessoas às vezes nem tem dinheiro, nem luxam, mas vivem se deslumbrando com as que têm e ficam se exibindo, para deleite dos pobres amadores. Outras, por não amar alguém, amam seu carro, seu bicho de estimação, sua plantinha, sua casa, sua religião, seu grupo, seu time... E assim vão morrendo aos poucos.

A.J. Cardiais
22/09/2013
imagem: a.j. cardiais
Poeta

Poemas :  Mulher: obra prima de Deus
Mulher: obra prima de Deus
Dizem que Deus
fez o homem de barro.
Moldou, esculpiu,
soprou: deu-lhe vida.

Então se Deus fez a mulher
da costela do homem,
Ele usou na mulher
um "material" melhor.

E como Ele já estava
com mais experiência
sobre "fabricação" humana,

Fez a mulher mais bem feita.
Mulher, seja o que você é:
uma obra prima de Deus.

A.J. Cardiais
imagem: google
Poeta

Poemas :  Rosa Flor, Rosa Mulher
Rosa Flor, Rosa Mulher
Rosa, em quantos cantos
te cantarei?
Sinto a vontade de escrever
como a fome de inverno.

Brinco e rabisco.
Dou asas à perfuração veloz
da caneta.
Sou estafeta de mim...

Sou poeta?
Fujo do mundo
e das rosas.
Em quantas prosas?

Rosa flor, Rosa mulher...
Rosa qualquer cor-de-rosa.
Rosa, não te cantarei nem nada.
Simplesmente te amarei.

A.J. Cardiais
imagem: google
Poeta

Poemas :  A Cúmplice
A Cúmplice
A vida para mim
está sendo assim:
vou seguindo...
De vez em quando paro,
e procuro algo
que me traga alegria.

Pode ser uma música,
uma flor qualquer
sem nenhum valor reconhecido,
um sorriso de mal-me-quer,
um amor mal resolvido...

Reparem bem: uma vida
bem conduzida,
tem como cúmplice a mulher.
Pois é o que me falta:
uma cúmplice.

A.J. Cardiais
imagem: google
Poeta

Poemas :  Poema rosa para um dia de sol
Poema rosa para um dia de sol
A Rosa que anda,
é a mulher que é a vida.
A Rosa que ama
é a Rosa ferida,
exprimida no caule do teu
próprio espinho-mulher.

A rosa colorida,
é a flor esperança meiga
da mulher Rosa apaixonada,
dócil,singela, mimada...

A Rosa, rosa
é a flor-mulher
de espinhos indefesos,
para uma vida de amor...

Ah, Rosa...
Prenda-me nas tuas pétalas
e ponha-me toda a pureza
do teu desabrochar
perante o sol.

A.J. Cardiais
1982
imagem: google
Poeta