Textos :  Apartamento Parisiense
Apartamento Parisiense
Apartamento Parisiense






A cena se passa em Paris, em 1942.



Cena Única



Vemos um apartamento com dois níveis. Um deles está ocupado por dois homens. Um chamado Yosef e outro Aarão. Eles são judeus e estão se escondendo dos nazistas.



Yosef- Droga! Mais um dia nesse apartamento em Paris. Tudo bem que ele é bonito, elegante, mas estamos presos aqui há quase seis meses.


Aarão- Não reclama, Yosef. Você gostaria de estar em uma prisão da Gestapo?


Yosef( se benze)- Deus me livre! Santa Virgem!


Aarão- Então não reclame. Estamos até bem instalados aqui e pessoas de confiança estão nos ajudando.


Yosef- Sim, até que você está certo. E tem poucas pessoas aqui neste condomínio. Então para descobrirem...


Aarão- Viu? Nem tudo está perdido. E nossos passaportes ficam prontos, e iremos daqui para Portugal e de lá para o Brasil. Nossa vida realmente será outra.


Yosef- Ir para o Brasil é arriscado, não acha?


Aarão- Não. Por que fala isso?


Yosef- Pelo que sei, o Brasil ainda é aliado da Alemanha.


Aarão- Não mais. Quando você estava dormindo ontem, soube pela senhora que vem aqui que o Brasil já declarou guerra à Alemanha, Itália e Japão.


Yosef- Graças a Deus! O que os brasileiros pensavam? Que a Alemanha não iria se voltar contra eles?


Aarão- Sim, com certeza. Mas agora eles realmente estão do lado dos Aliados.


Yosef- E esta guerra na França que acabou... E pelo jeito...


Aarao( interrompendo)- Ainda existe a Resistência, os maquis... Nunca irão se render.


Yosef( torce a boca com desagrado)- Detesto quando você me interrompe! Nunca sei o que falar depois, nada vem na minha mente, e aí tenho que começar outra coisa.


Aarão- Desculpe, achei que precisava te falar isso.


Yosef( levanta-se e dá alguns passos pelo cômodo)- Acha que os franceses estão colaborando bastante com os malditos nazistas?


Aarão- Creio que sim.


Yosef- Então as chances de nos encontrarem é grande.


Aarão- Sim, mas não vamos desanimar. Temos dois lugares para nos esconder aqui, e um deles é bem ocultado.


Yosef- Até um alemão inteligente realmente encontrar o truque.


Aarão( com ar de superioridade e caçoando)- Não há muitos deles.


Os dois começam a rir bastante.



Yosef- Tenho dormido tão bem.


Aarão- Eu também. E pode-se dizer que meu organismo também está muito bom.


Yosef- Incrível, não acha? Estamos aqui em um lugar sem poder sair e nossos organismos não estão cobrando luz solar, nem nada.


Aarão- Nossa consciência está tranquila. Então os organismos apenas seguem essa paz.


Yosef- Sim, cada vez mais percebo que a consciência realmente é quem dita as normas para o corpo.


Aarão- E não poderia ser o contrário, se assim o fosse, a vida seria pior do que já é.


Yosef- Mas...


Ouvimos barulhos de pessoas subindo rapidamente as escadas.


Yosef- Teremos que nos esconder!


Os dois rapidamente vão até o segundo nível e se escondem. A porta é arrebentada por um chute e vemos dois soldados entrando acompanhados de um tenente da Gestapo.


Soldado I- Ué. Onde estão? Recebemos uma denúncia agora que havia duas pessoas conversando neste apartamento.


Soldado II- Muito estranho. ( Olhando em volta).


Tenente- Alarme falso. Não há ninguém aqui e nenhum vestígio de pessoas neste lugar.


Soldado II- Devemos vasculhar.


Tenente- Aqui é pequeno, ninguém realmente está aqui.



Entra outro soldado alvoroçado.



Soldado III- Tenente Rasmussen, aconteceu algo extraordinário. Um muro explodiu e não há ninguém perto do muro. E ouvimos vozes, e quando fomos ver quem era, não havia ninguém.


Tenente- Scheiss! Vamos, não há realmente ninguém aqui.



Eles saem fechando a porta. Ouvimos barulhos de risadinhas baixas. O pano desce.




FIM
Poeta

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